Uma medalha de prata no peito, mas com gostinho amargo. Foi num clima de bastante decepção que a seleção feminina de Vôlei ouviu o hino cubano ecoar no ginásio Maracanãzinho. Uma derrota por 3 sets a 2, das mais sofridas. Após ter a oportunidade de fechar o jogo no quarto set, o Brasil partiu para o
tie break disposto a apagar os fracassos recentes em duas competições de peso: os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 e o Mundial, no ano passado. Um 14 a 12 no último set fez a torcida vibrar e tremular, mais do que nunca, suas bandeiras... Mas, infelizmente, a equipe de Cuba, jogando horrores, teve frieza para reverter o placar e fechar o jogo: 17 a 15 em um lance polêmico: a ponteira cubana bateu e a bola pareceu não resvalar no bloqueio brasileiro, mas o primeiro árbitro confirmou o ponto. Lágrimas para as duas equipes: de alegria, de um lado, e de tristeza, no outro - logo o nosso lado. Um jogão de Voleibol em que ambas as equipes tiveram chances de
match point - a vitória veio no detalhe.
Mas agosto vem aí e, com ele, o Grand Prix de Vôlei Feminino. É hora de levantar a cabeça e encaixar o bonito jogo brasileiro com calma e aprendendo com os erros. Ainda que existam muitos fantasmas assombrando nossas meninas atualmente, tenho certeza de que essa geração ainda vai render ótimos frutos. Destaques para Sheilla, com excelente aproveitamento no ataque, e Paula Pequeno, que apareceu muito bem nos três primeiros sets, tanto na defesa, quanto na hora de botar a bola no chão adversário. Lamento - todos lamentam - pelo ouro perdido, mas outros virão. Só é preciso aparar algumas arestas, e o técnico José Roberto Guimarães, certamente, está de olho.
Saindo das quadras para as piscinas, hoje foi mais um dia de show de Thiago Pereira! Outro belo ouro, dessa vez nos 400 metros medley. Um atleta completo. As medalhas da natação também vieram com as meninas, no revezamento 4 X 100 (prata) e com Fabíola Molina (prata também), nos 100 metros nado costas.
Foi dia também de medalhas no judô e remo, deixando o Brasil, até agora, em quarto lugar no quadro de medalhas, tendo a nossa frente EUA, Cuba e Canadá, respectivamente. Só que, mais do que um bom lugar entre os medalhistas, o mais importante é perceber que o Brasil tem conquistado medalhas em esportes com pouquíssimo apoio, como Taekwondo, Squash, Badminton, Esgrima e até mesmo o próprio Remo. Muitas pessoas confundem falta de incentivo com falta de praticantes, mas uma coisa nada tem a ver com a outra, diretamente. Sabemos que muitos esportes são praticados neste país de dimensões continentais, mas as federações e confederações sofrem com o amadorismo.
Aproveitando o desabafo, a medalha mais desejada por mim, nesse Pan, é a de ouro no Futebol Feminino. Não dá para colocar o Futebol na lista dos "esportes sem apoio", mas tudo muda de figura quando falamos em Futebol
Feminino. É fácil incentivar e patrocinar o jogo masculino, mas, entre as mulheres, ainda existe a desconfiança e o preconceito - machismo, em outras palavras. Uma pena. Mas acredito no potencial de Marta, Formiga, Pretinha e cia. Elas são
10 - a seleção do Equador que o diga!